As 300 acções adquiridas ontem para a carteira BolsaLisboa, foram hoje vendidas ao preço unitário de 6,67€. As acções foram vendidas devido à abertura de hoje de 6,58€, que não deu segurança quanto à tendência do dia. Após a sessão de hoje, e analisando a situação, a venda foi feita apenas com base no receio de um novo dia negro da bolsa nacional, o que se traduz pela baixa rentabilidade do trade. Com este negócio foi obtido uma mais valia de 27€, que corresponde a uma rentabilidade de 1,37%.
A carteira BolsaLisboa foi actualizada com a compra de 300 acções da Semapa, pelo preço unitário de 6,58€ . Mesmo com o anúncio de uma queda dos lucros, nos primeiros 9 meses do ano, de 10,55% face a igual período de 2007, a empresa ainda poderá testar a resistência, de curto prazo,dos 7,15€. Nesta situação, caso a cotação ultrapasse os 2% para o lado negativo, será dada ordem de venda, devido à grande instabilidade que se tem vivido nos mercados financeiros. Observando o comportamento das acções da Semapa nas últimas semanas, esta tem-se revelado como acção de refúgio sendo as suas variações muito pequenas face às suas "companheiras" do Psi20, o que a torna um investimento de menor risco dentro das acções da bolsa nacional.
Com o desenrolar da crise financeira mundial, todas as semanas surgem notas de research de analistas financeiros a anunciarem um grande potencial de valorização para a empresa X. Através destas notas, muitos investidores regulam as suas compras ou vendas nos mercados financeiros, colocado assim grande responsabilidade sobre os analistas financeiros. Mas o que se pode constatar, é que as quedas nas bolsas continuam e a grande maioria dos preços-alvo lançados são de compra ou mesmo forte compra, atribuindo grande potencial de valorização às empresas. O potencial e valorização médio dado pelos analistas que acompanham empresas do Psi20 é de 104%, com a Impresa e a Sonae SGPS a terem o maior potencial, respectivamente de 177% e 176%. Estas notas de investimento lançadas por parte das casas de investimento, e elaboradas pelos analistas financeiros revelam uma certa falta de transparência. Com a diferença que surge entre os preços lançados e os preços transaccionados, poderá sempre ocorrer a suspeita de interesses por parte de das casas de investimento, principalmente porque não são reveladas as suas participações nas diversas empresas cotadas, ao público. Segundo a revista Carteira a 3 melhores casas de investimento nas suas análises às cotas nacionais, foram a JPMorgan, ING e DeutscheBank com um retorno médio das recomendações efectuadas respectivamente de 38,80%, 16,77% e 15,42%. Estes valores foram obtidos recorrendo a dados dos anos de 2005 a 2008, e só assim se consegue explicar os resultados positivos, com os anos de 2005, 2006 e metade de 2007 a serem de subida na bolsa Portuguesa.
Os preços-alvo não deveram servir de "estratégia" de investimento, porque nunca se sabe os interesses envolvidos por detrás destas notas de investimento. Deverão ser apenas mais um dado na elaboração da análise fundamental de uma empresa. (alguns dados foram obtidos da noticia, sobre o tema, publicada hoje no Jornal de Negócios)
Esta têm sido mais uma semana em linha com as semana anteriores, com a tendência em todos os horizontes temporais a ser de quedas. A semana começou a ganhar ligeiramente, com muitos investidores a acreditar numa correcção positiva da bolsa Portuguesa durante a semana. Mas logo no segundo dia os mercados voltaram ao vermelho, definindo novamente a tendência. No final do dia de hoje o Psi20 já apresentava uma perda semanal de 5,93%, a qual poderá ainda ser agravada se os mínimos da semana passada forem atingidos. A grande volatilidade, que se tem registado nestes últimos dias de negociação, com grandes "altos e baixos" durante o intraday, têm dificultado a análise dos investidores que apenas prendem investir no curto-prazo, trazendo como consequência uma diminuição de volumes de acções transaccionadas. Continuo a não aconselhar a entrada neste momento em acções nacionais, até que ocorram sinais de mudança.
Após a sondagem efectuada aos leitores do blog, os resultados foram os seguintes:
A maioria dos leitores acredita no fim das quedas, na bolsa Portuguesa, até ao fim do ano, com 24% dos votantes a serem ainda mais optimistas, colocando a recuperação a começar já durante este mês de Outubro. Após uma semana onde as bolsas mundiais desvalorizaram em média na casa dos 20%, e após uma desvalorização superior a 50% no Psi20 durante o último ano, são muitos os investidores que não vêem mais espaço para quedas. Com as noticias que nos últimos dias são comunicadas sobre injecções de capital no sistema financeiro, descidas de juros, abrandamento do crescimento económico e entrada em recessão de alguns países, muitos analistas referem que o fundo na economia está prestes a ser atingido. Como a bolsa em geral antecipa a economia nacional e mundial, pode ser já nos próximos dias ou semanas que as subidas regressem.
Cerca de 20% dos participantes na sondagem estão pessimistas em relação ao futuro, só vendo novas subidas nas bolsas depois de 2010. Esta crise que começou no crédito hipotecário e alastrou para a banca, poderá ainda atingir outros sectores de actividade também bastante próximos das populações. Neste caso o fundo ainda poderá estar longe de acontecer, resultando em agravamentos pela negativa nos crescimentos económicos estimados, diminuição do poder de compra com consequente diminuição do consumo, e aumento do desemprego. Quando ocorre uma crise, esta desenrola-se até o sistema estar "esgotado", isto é até o interesse por parte dos investidores pelos mercados financeiros atingir valores mínimos. Quando isto acontece ocorre um período de lateralização ou possível subida pouco acentuada, onde os volumes de acções transaccionados estão em níveis baixos. Este tipo de período demora algum tempo (várias semanas ou vários meses) até ser detectado. Este é um dos cenários possíveis onde pode ocorrer a inversão de tendência de longo prazo, com as subidas e os volumes a serem cada vez maiores à medida que os investidores ganham de novo interesse pela realização de aplicações nos mercados financeiros.
Durante a semana passada foi-me enviado um email , que continha uma tabela comparativa entre o preço do petróleo e o preço do gasóleo. Esse email continha alguns erros, os quais eu pesquisei pela informação correcta, e apresento-a aqui.
O mail que me foi enviado foi este:
Deixo aqui algumas correcções:
ANO 2000
No ano 2000 o Dolar/Euro andou apenas alguns dias perto do 1,2, e foram os valores extremos do ano, isto é os máximos! Estes máximos foram feitos entre a semana de 15 e 22 de Outubro (não consegui arranjar informação diária sobre as cotações, apenas semanal), tendo durante este período oscilado entre os 1,16 e 1,22. Durante este período o light crude variou entre os 32,4$ e os 34,8$(38,88€ e os 41,76€), muito longe dos 60$ referidos no mail. Só para ter uma ideia geral do que se passou no ano 2000 com o petróleo o valor máximo do ano foi de 37,8$ e o mínimo de 24,25$, com uma volatilidade muito baixa. Mas o valor de referência para Portugal é o do Brent que durante esse período variou entre os 30$ e 31$, (36€ a 37,2€)( sem muita precisão devido à falta de dados). Durante o mês de Outubro de 2000, a média do preço do gasóleo rodoviário foi de 0,623€ com todas as taxas incluídas.
ANO 2008
No dia 2 de Outubro de 2008 o Dolar/Euro variou entre os 0,7135 e os 0,7274. Vou considerar o valor que torna o resultado pior para as gasolineiras (tal como todos têm feito ao longo dos últimos dias), que é 0,7135. Neste mesmo dia o light crude variou entre os 100,375$ e os 93,550$(71,618€ e os 66,748€). O Brent que no serve de referência variou entre os 76€ e os 78€( valores aproximados devido à falta de dados). O preço do gasóleo rodoviário vou considerar o especificado no mail(1,26€), porque não tenho dados sobre o preço do gasóleo naquele especifico dia. A subida do preço do petróleo entre 2000 e 2008 foi de +104,3% ( considerando o preço mais alto referido no ano 2000 e o preço mais baixo referido no ano 2008, sempre a posição mais desfavorável para as gasolineiras), e não de -10,28% como era referido no mail. A subida do preço do gasóleo rodoviário entre 2000 e 2008 foi de +102,25%( considerando o valor 0,623 no ano 2000 e o valor 1,26 no ano 2008), e não 193,86% como era referido no mail( apesar de no mail ter sido feito um erro no calculo, porque com os valores referidos a valorização é inferior a 100%). Mas esta valorização tem impostos incluídos, o que é um erro considerar. No ano 2000 a carga fiscal sobre o gasóleo era de 54% do preço final( 0,246€ de ISP e 17% de IVA), enquanto que no ano 2008 a carga fiscal diminuiu para 45,6% do preço final (0,364 de ISP e 20% de IVA). Com os valores sem impostos do gasóleo comercial ( 0,286€ em 2000 e 0,686€ em 2008) a valorização do gasóleo passa para 140,0%! Concluindo: Entre os anos de 2000 e 2008, considerando os valores mais negativos para as gasolineiras, o petróleo subiu 102,25% e o gasóleo rodoviário subiu 140,0%. Considerando uma taxa de inflação média anual de 2,5%, ao fim de 8 anos teríamos um aumento de 20% nos preços. Fazendo contas, o gasóleo rodoviário está 17,75% mais caro do que "deveria" estar, considerando apenas estes poucos factores.
Deixo também aqui um gráfico interessante de se analisar( elaborado por Marco António- Administrador do Fórum Caldeirão de Bolsa)
Este email é apenas um dos muitos exemplos de falsa informação que correm por Portugal, muito por culpa da falta de qualidade nas notícias publicadas pelos meios de comunicação social, onde se esconde ou ignora alguns factos para criar um determinado impacto na população.
Após dois dias de fortes ganhos na bolsa nacional, hoje o Psi20 fechou a cair 3,06%. Com a semana que passou a ser marcada pelas fortes quedas em todas as bolsas mundiais, esta semana começou um período de correcção das quedas, com os dois primeiros dias a anularem 13,13% das quedas da semana passada.
A questão que se coloca é a duração deste período de correcção. Com este terceiro dia da semana a ser marcado por quedas, tanto na Europa como nos USA, provavelmente apenas tivemos a segunda e terça com correcção de mercados, e a partir de hoje as quedas voltarão outra vez. O Psi20 poderá ainda durante esta semana chegar a atingir a resistência de curto prazo entre os 7700pontos e 7900 pontos, correspondem-te a uma valorização de cerca de 11,5%, mas se não chegar lá será mais um sinal da tendência negativa de longo prazo dos mercados.